Não há paz. Mar de águas turbulentas, um navio quase naufragado e um último tripulante. Em meio à tempestade, navegação complicada, tão cheia de chuva, e o sol nunca aparece em meio ao arco-íres. Às vezes há uma surpresa e lá longe no horizonte se esconde o astro rei, a luz em meio a escuridão, o fogo, tão esperado, tão desejado, final feliz, nunca vem.
Pairam nuvens sobre o mar mesmo quando as águas estão calmas. – O que fazer? – Pergunta o tripulante, na esperança de que surja alguma solução pro seu navio desgastado. Se até a rocha é esculpida pela água, que chance teria um navio sem forças para enfrentar uma tempestade? Não há chances, o navio sempre afunda. 



Anna Luisa Pires

Chora até passar


   Chora menina, chora até a dor passar. Chora até não aguentar, chora ate que as lágrimas deem lugar a felicidade. Extravasa, tira tudo de ruim do peito, deixa essa agonia vir e passar despercebida. Você consegue, vai, só mais um pouquinho, você é tão forte, menina. Por trás dessa fragilidade há tanta energia, vai buscar sua força. 
   Mas agora não, agora você pode chorar, deixa sair, deixa livre, chora até dormir, chora até as coisas se tornarem fáceis. Chora até sonhar, e sonha com um príncipe bem bonito, o príncipe que você merece. E chora até acordar, porque quando despertar vai perceber que tudo isso não passou de um pesadelo.





Anna Luisa Pires